A ACSO, por meio de levantamento elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Athon Soluções, projeta que o comércio varejista da cidade movimentou entre R$ 12 bilhões e R$ 13,5 bilhões no primeiro semestre de 2026, considerando o conceito de varejo ampliado, que inclui os segmentos de veículos e materiais de construção. No varejo restrito, a estimativa varia entre R$ 6,5 bilhões e R$ 7,5 bilhões. Embora o faturamento nominal tenha apresentado crescimento estimado de 2,4% em relação ao mesmo período de 2025, o volume de vendas, descontada a inflação, permaneceu praticamente estável, com leve viés de queda (-0,5%), confirmando que o semestre foi marcado pela resistência do setor, e não por um ciclo de expansão.
O estudo mostra que o desempenho do comércio sorocabano ocorreu em um dos ambientes econômicos mais desafiadores das últimas décadas. Ao longo de praticamente todo o semestre, a economia brasileira conviveu com juros elevados, Selic entre 15% e 14,25% ao ano, alto nível de endividamento das famílias, comprometimento recorde da renda e aumento da inadimplência. Em contrapartida, o mercado de trabalho permaneceu aquecido, tanto nacionalmente quanto em Sorocaba, sustentando a renda das famílias e impedindo uma retração mais intensa do consumo. No município, a economia gerou quase 4,9 mil empregos formais entre janeiro e maio, ainda que o comércio tenha reduzido significativamente o ritmo de contratações, refletindo a cautela do setor diante do crédito caro.
Conforme o levantamento, Sorocaba acompanhou a tendência observada no Estado de São Paulo, onde os segmentos mais dependentes de financiamento, como veículos, móveis e materiais de construção, registraram as maiores retrações. Em contrapartida, ramos como vestuário, calçados, perfumaria, farmácias, informática e eletrônicos apresentaram desempenho superior, comportamento também identificado nas pesquisas de intenção de compra realizadas pela ACSO em parceria com a Athon Soluções durante as principais datas comemorativas do semestre. O Dia das Mães movimentou aproximadamente R$ 380 milhões na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), enquanto o Dia dos Namorados alcançou entre R$ 450 milhões e R$ 500 milhões, reforçando a importância do calendário promocional para a recuperação parcial das vendas.
A pesquisa destaca, ainda, que o primeiro semestre teve dois momentos distintos: um início marcado por retração do consumo e um segundo trimestre de acomodação, impulsionado pelas datas comemorativas e pelos efeitos econômicos da Copa do Mundo, que deve ter injetado mais de R$ 300 milhões na economia regional, principalmente nos setores de alimentação, eletrônicos, vestuário, bares e restaurantes. Mesmo assim, o cenário permaneceu desafiador, com o varejo operando num ambiente de margens comprimidas e elevado custo financeiro, sem que houvesse uma recuperação consistente do consumo.
Para construir a estimativa, o Núcleo de Estudos Econômicos da Athon Soluções utilizou uma metodologia baseada na triangulação de indicadores oficiais e locais. O levantamento reúne dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE), informações do Novo Caged, indicadores de alta frequência, pesquisas de consumo realizadas pela própria ACSO, dados da Jucesp e indicadores estaduais, permitindo estimar o desempenho específico de Sorocaba diante da ausência de estatísticas oficiais mensais para os municípios. O estudo aponta, também, que a cidade mantém fundamentos econômicos sólidos, com expansão da base empresarial, geração de empregos e novos investimentos, fatores que reforçam o potencial de crescimento quando o ambiente macroeconômico se tornar mais favorável.
“O comércio de Sorocaba demonstrou, mais uma vez, sua notável capacidade de adaptação e resiliência. Mesmo diante de um dos cenários mais desafiadores para o consumo nas últimas décadas, marcado por juros elevados e crédito restrito, nossa cidade manteve um alto nível de atividade econômica, evidenciando a força do empreendedorismo local. Esse levantamento da ACSO reúne informações estratégicas para empresários, investidores e toda a sociedade, reforçando o compromisso da entidade com a produção de inteligência econômica de qualidade, capaz de subsidiar decisões, impulsionar o desenvolvimento e fortalecer o comércio regional. Esse trabalho se soma às diversas consultorias gratuitas oferecidas pela Associação, voltadas a quem busca crescimento consistente, competitivo e sustentável”, destaca Hygor Duarte, presidente da ACSO.