A extinção da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 42 horas, e, após 12 meses, para 40 horas, representa uma intervenção profunda e precipitada nas relações de trabalho no Brasil. Sob o pretexto de avanço social, o que se coloca em curso é uma medida com alto potencial de desorganizar a atividade econômica, penalizar o setor produtivo e, no fim da cadeia, atingir diretamente o consumidor.
Sem um amplo debate social, a matéria deixa de fora a perspectiva do empresariado, que luta para crescer em meio a complexas barreiras fiscais. A Associação Comercial de Sorocaba (ACSO) se posiciona de forma clara e firme: a redução compulsória da jornada, nos moldes propostos, desconsidera a realidade econômica brasileira e impõe um custo que empresas, especialmente micro e pequenas, não têm condições de absorver.
É ilusório supor que a simples diminuição das horas trabalhadas resultará automaticamente em ganhos de produtividade ou melhoria generalizada da qualidade de vida. O Brasil enfrenta desafios estruturais graves, como baixa produtividade, elevada informalidade e um dos ambientes de negócios mais onerosos do mundo. Ignorar esse contexto é comprometer a sustentabilidade das empresas e dos empregos.
Nos setores de comércio e serviços, a situação é ainda mais crítica. São atividades intensivas em mão de obra, que dependem da presença física do trabalhador e operam com margens reduzidas. A diminuição da jornada, sem a devida flexibilização, implicará inevitavelmente em aumento de custos operacionais, seja pela necessidade de novas contratações, seja pelo pagamento de horas extras.
Esse aumento de custos não será absorvido de forma mágica. Ele será repassado ao consumidor. O resultado direto será a elevação de preços, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra da população, exatamente o oposto do que se pretende ao defender a medida sob o argumento de bem-estar social.
Além disso, o impacto não se limita ao consumo. Com margens comprimidas e maior insegurança operacional, empresas tendem a reduzir investimentos, frear contratações e, em casos mais extremos, encerrar atividades ou migrar para a informalidade. Isso significa menos empregos formais, menor arrecadação de tributos e um enfraquecimento geral da economia.
Trata-se de um efeito em cadeia profundamente negativo: aumento de custos, inflação mais alta, queda no consumo, redução da atividade econômica e diminuição da arrecadação pública. É um cenário que prejudica empresas, trabalhadores e o próprio Estado.
A ACSO reforça que não se opõe à modernização das relações de trabalho. No entanto, mudanças dessa magnitude não podem ser impostas de forma unilateral e descoladas da realidade econômica. É imprescindível que qualquer discussão sobre redução de jornada esteja condicionada a ganhos concretos de produtividade, à redução do Custo Brasil e à criação de mecanismos reais de flexibilização e adaptação setorial.
O Brasil precisa de equilíbrio, responsabilidade e compromisso com a realidade. Medidas que ignoram esses princípios não promovem justiça social, apenas ampliam os problemas que já enfrentamos.